Se você viu um anime com um poster bonito, viu que era da MadHouse, descobriu que seria dirigido pela mesma pessoa responsável por No Game, No Life e se interessou em assistí-lo, esse texto é para você, tendo já visto esse primeiro episódio ou não! Porque, querido leitor, devo lhe dizer que o episódio de estreia de Prince of Stride: Alternative é uma bela merda.

Como um anime de corrida pode soar apressado (e no mau sentido)?

A sensação que se tem ao ver o material promocional de PoS:A (Prince of Stride: Alternative) é a de que o anime teria uma atmosfera semelhante à NGNL (No Game, No Life). Uma paleta de cores com um filtro forte, uma estética super estilizada e, claro, seria bem puxado para o fanservice. Mesma diretora, mesmo estúdio. Com a diferença dessa nova série ser voltada ao público feminino, ao contrário da série anterior, voltada ao público masculino. Mas não é bem assim.

A começar que toda a estilização do anime de corrida carece de qualquer identidade. A paleta de cores tem um filtro blasé, a caracterização é genérica -a ponto de uns três personagens parecerem os mesmos, passarem a mesma impressão e um outro ser nada mais que o Haru, de Free!, genérico- e a edição é super dramática, sendo que toda a construção de personagem pede algo mais dinâmico e divertido. Ou seja, direção e direção de arte não conversam entre si e nem com nada mais.

Sério, é difícil achar um frame representativo nesse episódio.

Os personagens apresentados também carecem de qualquer identidade e de qualquer carisma. A construção da que parece ser a protagonista é baseada em uma cena totalmente over the top, em um campo florido, com pétalas de flores caindo em uma tentativa vazia de simbolismo. Os outros personagens simplesmente não são nada além de estereótipos, mas ainda assim o anime tenta forçar umas cenas dramáticas em cima deles.

O primeiro episódio é tão apressado que ao invés de instigar o espectador a querer saber mais sobre quem são aquelas pessoas, ele passa direto pela ideia de um possível conflito dentro de suas personalidades, atropelando-o com um conflito que cobre uns 2 minutos do episódio, não tem motivação alguma, se resolve de forma porca e estabelece uma relação entre dois personagens baseado em algo que nem sentido faz.

E falo do clímax da corrida, obviamente. Corrida essa que começa bem. Com parkour, uma boa noção espacial, ângulos que intensificam e engrandecem as ações dos personagens e até uma boa animação. Mas aparentemente a pressa vai ser, ironicamente, constante nesse anime. E antes de chegar na parte problemática da corrida, que é a cagada final que a estreia precisava, falemos dessa pressa.

O que melhor resume essa característica é uma curta cena de vôlei, na qual um personagem chega a dar dois toques na bola sem razão nenhuma. Custaria até menos não animar o figurante passando a bola pro outro lado da quadra, mas aparentemente nem a isso eles se atentaram. Quem fez os storyboards dessa cena nem parece ter tido a chance de olhar mais uma vez para o que fez, parece que ninguém revisou essa merda. E isso não fica só nas cenas an passant, porque até a apresentação do Stride, esporte centro da trama, é super corrida (às vezes acho até que o anime faz de propósito, de tão irônico que essas cagadas soam), figurando diálogos como: “uma mulher pode ser relayer?”, sendo que essa dúvida para o espectador não significa nada, nem explica nada sobre as regras da coisa. O que é uma relayer? Quais as regras envolvidas na função? O Stride não se separa entre masculino e feminino? Que tipo de fã do esporte tem uma dúvida tão básica?

É REALMENTE difícil achar um frame representativo.

Foreshadowings de conflitos são levantados às pressas, piadas são feitas sem nenhuma preparação (principalmente lá na apresentação dos alunos), enfim, até um suposto preconceito com o esporte é jogado de lado irresponsavelmente para que se possa ter uma cena de ação que chame público no final. Até o conflito em cima  E, como eu disse, a cena começa bem… até tentar criar um momento de tensão no meio.

Primeiro que narrativamente essa tensão veio cedo de mais, já que nem entendemos a vontade de vencer dos personagens envolvidos e um deles até mostrava que não queria estar ali. E a cena ainda é mega dramática, com a mesma cena de simbolismo genérico das pétalas caindo e a “protagonista” super ansiosa. Se isso tudo fosse aplicado mais a frente, teria sido uma ótima cena na parte da condução… porque na prática ela nem faz sentido.

Esse clímax se baseia no fato dos corredores terem de “passar o bastão” e o que começou correndo não tê-lo feito e ter passado direto pelo colega. Aí o que começou correndo, o Fujiwara, continua a correr, criando a tensão em cima do fato de que talvez ele passe da “zona de transmissão”, que é a linha limite para se “passar o bastão”, antes de seu parceiro alcançá-lo. O problema é que quem continuaria correndo não seria o Fujiwara, seria o outro personagem. Ou seja, tanto faz ele tivesse corrido igual um maluco ou ficado parado no mesmo lugar, já que o outro personagem teria de correr exatamente o mesmo trajeto.

E para finalizar, essa segunda metade da corrida, que vem depois do clímax cagado, nem é mostrada. Só passam uns shots muito confusos que não dizem nada. No fim os dois corredores empatam porque sim, mesmo que um claramente fosse mais rápido que o outro, e o Fujiwara e seu colega têm um momento onde sua relação através do esporte se cria, mesmo que o clímax não tenha feito qualquer sentido e nem tenha sido apoiado por motivação alguma.

Olha, isso que é queimar a largada.