Como um complemento para o Tanaka Awards, o Tanaka traz a vocês a retrospectiva do ano de 2015 nos meios englobados pelo escopo do site. Desde os games, músicas até os já tradicionais mangás e animes, iremos englobar alguns dos principais acontecimentos envolvendo o mundo da cultura pop asiática.

Finalizando nossa grande retrospectiva deixando para o final os fatos mais marcantes do mundo dos animes e mangás. Em um ano voltado a nostalgia por conta de velhos conhecidos e de uma nostalgia derivada de legados que foram deixados, encerramos o ano de 2015 com aquele sentimento de saudade e por conta disto nada melhor do que encerrar esta série de postagens do Tanaka deixando esse gostinho nostálgico e agradecimento para o final. Aproveitem o post!

Se teve uma coisa na qual no ano de 2015 brilhou no mundo dos animes foi a nostalgia. Em uma ano repleto de revivals, continuações e celebrações, tivemos a oportunidade de visitar novamente velhos conhecidos de nossa infância. Séries que marcaram a juventude do publico otaku brasileiro quando a mídia anime começou a se difundir em nosso país voltaram matando a saudade dos fãs e celebrando seus legados a medida que também visavam ser atraentes aos olhares da nova geração de apreciadores de animes.

Dragon Ball Super, o novo anime da série de Dragon Ball após dezenove anos do término do GT, Sailor Moon Crystal trazendo um reboot da adaptação para anime da série de mangas da Naoko Takeuchi, Digimon tri. e a volta dos digiescolhidos da série Adventure comemorando quinze anos do primeiro anime, Saint Seiya: Soul of Gold com o novo anime da série Cavaleiros do Zodíaco que trouxe os Cavaleiros de Ouro novamente a ativa após a saga de Hades. Discutir a qualidade é importante, visto que em alguns destes casos, os novos animes não chegam aos pés do passado, mas independente da qualidade ou não destas séries, o mais importante a se destacar é que a nostalgia foi celebrada e podemos ao menos matar um pouco da saudade daqueles que foram importantes para muitos de nós que hoje gostamos de animes, mangás e cultura japonesa.

É como se um amigo de infância viesse te vistar depois de muitos anos e te trouxesse muitas lembranças do passado e que você agora, mais maduro, pode não olhar para ele com os mesmo olhos do passado, mas que mesmo assim certamente mantém um carinho especial e fica feliz em vê-lo novamente por tudo que ele já lhe proporcionou.

Além de toda nostalgia causada por conta do retorno de séries antigas em 2015, também tivemos anúncios inesperados de continuações de alguns animes que são muito estimados pelo publico otaku.

Entre os anúncios tivemos a revelação do novo anime de Legend of the Galactic Heroes, a lendária série space opera, que receberá uma nova série em 2017 pela Production I.G.. Outros dois anúncios importantes foram a volta dos animes de Berserk e D. Gray Man, que irão dar continuidade a história e cobrir arcos dos mangás que até hoje não foram animados. E para finalizar, e não menos importante, o anuncio de um novo filme de Yu-Gi-Oh!, intitulado “Yu-Gi-Oh!: The Dark Side of Dimensions”, que servirá como comemoração aos 20 anos da franquia de Kazuki Takahashi e contando com a volta dos personagens clássicos Yugi Mutoh e Seto Kaiba.

A volta desses velhos conhecidos é mais uma prova de que a industria tem espaço para a nostalgia, e isso não é uma coisa ruim, já que teremos a oportunidade de ver coisas novas de séries que gostamos. É como matar a saudade e, ao mesmo tempo, se animar por ser algo totalmente novo. Agora só resta esperar e torcer para que saia algo competente e de qualidade de todas essas produções, e que isso incentive a novas pessoas a correrem atrás das obras originais.

Fato confirmado pelo site animeanime, o estúdio Manglobe anunciou pedido de falência no dia 30 de Setembro de 2015.

O estúdio vinha tendo problemas financeiros por algum tempo e alguns dos funcionários relatavam falta de pagamento. O estúdio procurava maneiras de liquidar as suas dívidas que, de acordo com o Teikoku Databank, eram de um total de mais de 350 milhões de ienes (cerca de 2,9 milhões de dólares), mas sem qualquer condição de continuar gerindo seu negócio.

Foram divulgado os números da média de vendas das principais obras da Manglobe e elas são extremamente baixas, causando surpresa em como o estúdio conseguiu sobreviver por tanto tempo.

Fundada em 2002 por Shinichiro Kobayashi e Takashi Kochiyama, a Manglobe produziu animes conhecidos no grande publico otaku como Samurai Champloo, The World God Only Knows, Ergo Proxy, Deadman Wonderland, Hayate no Gotoku!, Samurai Flamenco e o mais recentemente Gangsta.

Atualmente o estúdio trabalhava no filme Genocidal Organ, que tinha seu lançamento programado para final do ano de 2015, mas devido ao pedido de falência, o filme foi transferido para o Geno Studio que se comprometeu em lança-lo nos cinemas japoneses no final de 2016.

A Mangolobe fará falta no mundo dos animes com seu estilo único e produções de alta qualidade. Mesmo que seus trabalhos não tenham vendido bem nas terras nipônicas, eles conquistaram muitos fãs ao redor do mundo, até mesmo aqui no Brasil onde foi transmito Samurai Champloo, anime que é cultuado até hoje pelos otakus brasileiros.

O que nos resta é reviver as boas memórias proporcionadas pelo estúdio e sempre que bater a saudade, reassistir algum de seus trabalhos que certamente não serão esquecidos.

O dia 24 de Agosto de 2015 marcou cinco anos desde que Satoshi Kon nos deixou. Um diretor extremamente reconhecido e aclamado por todo o mundo que, infelizmente, teve uma passagem curta pela Terra, mas que apesar do pouco tempo de vida, conseguiu construir um legado inestimável através de seu devoto amor à ficção. Um legado que absoluto que ecoara para todo o sempre, pois as aventuras proporcionadas por suas obras atravessarão o tempo e ecoarão pela eternamente. Satoshi Kon se foi, mas o show deve continuar.

Caso queira se aprofundar mais na vida e obra de Satoshi Kon, escute nosso podcast sobre ele clicando aqui.

No dia 04 de Outubro de 1995, estreava produzido pelo estúdio Gainax o anime Neon Genesis Evangelion, que viria a se tornar um dos mais influentes da história do Japão.

Desconstruindo a ideia de mecha e abusando de um simbolismo religioso pesado a medida que apresenta críticas sociais importantes e inovadoras para a época (depressão, alienação, relações pessoais), Evangelion causou o renascimento da indústria do anime e até hoje influencia inúmeras obras contemporâneas.

Uma obra pioneira e única que até hoje vive se renovando e se reconstruindo à proporção que também é estudada e debatida por tamanha virtudes e complexidade. Um anime que deve ser visto por todos aqueles que apreciam a mídia.

Omedetou, Shinji!

Dono de um estilo único que só de você apenas bater o olho, você reconhece quem está produzindo, o estúdio SHAFT completou 40 anos de existência em 2015. A casa de Shinbo Akiyuki que começou como uma estrutura criativa pequena no anonimato servindo de um antro de realização de sonhos daqueles que gostariam de trabalhar com animação, cresceu ao longo dos anos e se tornou um dos estúdios de animação mais populares do Japão, produzindo séries como Nisekoi, Sayonara Zetsubou Sensei, Madoka Magica e Monogatari.

Com um estilo próprio e empregado por Shinbo Akiyuki, a SHAFT mantém até hoje uma herança tradicional que é cultivada em seus projetos que são trabalhados com um estilo próprio e atípico que visa fazer animações limitadas, mas que mesmo assim, não deixa de ter seu charme único.

Odiado por uns, amado por milhares, o estúdio SHAFT é certamente um dos mais importantes da história dos animes, muito por conta de sua linha de trabalho que deve ser respeitada, afinal, se não fosse um grande trabalho moldado com toques de genialidade, o estúdio não estaria completando 40 anos.

Por meio de uma visita do Primeiro Ministro do Japão, Shinzo Abe, à Casa Branca, com o objetivo de discutir sobre o comércio livre entre os dois países, o presidente dos estados unidos, Barack Obama, aproveitou a oportunidade para elogiar a cultura nipônica dando destaque aos animes e mangás e agradecer ao Japão pelas mídias que são muitos presentes intrinsecamente na cultura atual dos Estados Unidos.

“Hoje é uma oportunidade para os americanos, especialmente nossos jovens, de dizerem ‘obrigado’ por todas as coisas que amamos do Japão, como o caratê e karaokê, mangá e anime e, é claro, emojis”

Mesmo com o tom de brincadeira, é muito legal ver a figura mais poderosa do planeta ceder espaço para as mídias que gostamos, muito por conta de serem mídias que de certa foram são desprezadas devido a algum preconceito por conta de generalização acerca de seus conteúdos como algo raso. Ver uma figura poderosa demonstrar interesse e afeto por esse tipo de cultura é algo grandioso no sentido de quebrar com esse estigma da falta de qualidade das mídias que, são muito ricas e superiores a muitas coisas devidas da mídia de cinema, quadrinhos e filmes que são cultuadas mundo afora.

One Piece pode ser considerada como a série de mangá mais bem-sucedida de todos os tempos na história do Japão. Líder absoluto de vendas e detentor de importantes recordes, o mangá de Eichiro Oda foi condecorado em 2015 com o título de “a história em quadrinhos mais publicada do mundo” pelo Guinnes Book. A série que que já publicou mais de 320,866 milhões de exemplares ao longo dos seus mais de 15 anos carimbou de vez seu nome na história como a maior de todos os tempos.

Independente da qualidade atual do mangá, é muito prazeroso ver uma série que nos trouxe tantas alegrias ter seu nome cada vez mais fixo no panteão dos maiores de todos os tempos. As aventuras de Monkey D. Luffy estará para sempre presente na história devido a tamanha importância que Oda conseguiu construir. Entrar no Guinnes é somente uma consequência de tudo que a série fez até hoje, mas mesmo sendo apenas algo simbólico, a verdadeira importância está no peso que isto representa no sentido de reforçar a mídia mangá ao mundo, demonstrando a força que ela tem
e desconstruindo um pouco do preconceito existente sobre a mesma.

Shigeru Mizuki foi sem duvidas um dos principais nomes da história dos animes e mangás, se você assiste ou lê algo nos dias de hoje, muito disso foi por conta deste cara. O premiado autor cujas retratações dos horrores da II Guerra Mundial e as recriações de histórias folclóricas ajudaram aos animes e mangás ganharem popularidade mundial, morreu aos 93 anos devido a falência múltipla de órgãos.

Autor muito renomado e querido, foi convocado para a guerra em 1942 quando era apenas um estudante de arte. Em meio a batalha em Nova Guiné, acabou perdendo um braço e testemunhou horrores que viram o assombrar e influenciar pelo resto da vida.

Mas apesar de toda a representação histórica em suas histórias, a maior importância de Shigeru Mizuki viria a ser trabalhar com o folclore japonês em seu mangá Ge-ge-ge no Kitaro, uma série de mangás sobre um menino fantasma que combate diversos Youkais (Monstros do folclore japonês). Shigeru Mizuki foi o responsável por espalhar a febre dos youkais na cultura pop japonesa. Séries que vieram posteriormente e que até hoje abordam a temática destes monstros só existem por conta do trabalho de Mizuki.

Seja Nurarihyon no Mago, Inuyasha, Youkai Watch entre tantos outros, tudo isso só foi possível graças a Ge-ge-ge no Kitaro e o legado inegável que foi construído. Uma fonte de criatividade e conteúdo que foi criada por um veterano de guerra que usou de sua genialidade e amor pela arte para revolucionar a história do Japão.

Setsuko Hara não esta diretamente relacionada ao mundo dos animes e mangás, o qual é a proposta do post, mas sua morte tem um peso muito grande por ela ter sido o maior ícone do cinema japonês e influenciado Satoshi Kon a homenageá-la em Millenium Actress.

A “eterna virgem” como ficou conhecida por nunca ter se casado ou ter tido filhos, morreu aos 95 anos deixando para trás uma carreira unica e imensurável a qual acabou cedo quando Hara tinha apenas 43 anos e preferiu se retirar do cinema pra viver uma vida tranquila e mais pessoal.

Hara foi tanto um exemplo da modéstia e do recato feminino, das mulheres que arcavam com toda a estrutura rígida sociedade nipônica com plena consciência das suas desigualdades, como também a corporização da “nova mulher japonesa” do pós-guerra, sendo mais otimista e determinada.

Atriz de enorme popularidade, que trabalhou com todos os grandes cineastas da sua época, como Akira Kurosawa, Mikio Naruse e Keisuke Kinoshita, mas tendo sua colaboração com Ozu ao longo de seis filmes a definição mundial de seu nome como a maior de todos os tempos.

Assim como a Chiyoko de Millennium Actress… Hara não nos proporcionou somente filmes, mas sim aventuras que se manterão eternas enquanto a ficção continuar dando espaço para as vive-las, ou seja, eternamente.

Um ano movido a nostalgia que nos fez revisitar o passado e a cultuar. Certamente, 2015 foi atípico, pois em um grande geral acabou sendo como uma ode a mídia de animes e mangás por celebrar o melhor que ela pode nos proporcionar, que são aventuras atemporais que se manterão eternas pois carregaremos para sempre em nossos corações.

Essa foi a retrospectiva 2015 do Tanaka, espero que tenham gostado de acompanhar os diversos posts abordando as diferentes mídias da cultura pop japonesa, e que eles tenham servido como uma pequena homenagem a tudo que o ano nos proporcionou no antro do entretenimento.