Como um complemento para o Tanaka Awards, o Tanaka traz a vocês a retrospectiva do ano de 2015 nos meios englobados pelo escopo do site. Desde os games, músicas até os já tradicionais mangás e animes, iremos englobar alguns dos principais acontecimentos envolvendo o mundo da cultura pop asiática.

Dando continuidade a retrospectiva iniciada no post sobre games, trazemos desta vez os fatos mais marcantes de 2015 relacionados ao mundo da música, e não só do Japão, mas também expandindo o conteúdo até o mundo do K-Pop na Coréia. Abordando uma mídia tão presente em nossa vida, tivemos um ano de celebrações de legados à quebras de barreiras culturais, se tornando um ano muito importante pro meio musical.  Sem mais delongas…

Em 2005 uma jovem novata de apenas dezoito anos fazia sua estreia no mundo da música com um single intitulado “Fell My Soul” composto em homenagem a sua cidade natal. Uma jovem que em poucos anos viria a se tornar uma das principais cantoras e compositoras do Japão devido a seu enorme talento e que em 2015 completou dez anos de uma carreira de muito sucesso. Uma jovem conhecida como Yui, a qual com sua calma e doce voz canta sobre as coisas boas da vida, trazendo muita alegria ao coração das pessoas a medida que acompanhamos durante estes dez anos seu crescimento como música e também como pessoa, a qual deixou de ser aquela jovem talentosa para se tornar uma mulher completa e realizada.

Yui começou cedo no mundo musical. Aos onze anos, por recomendação de um amigo, começou a estudar música: violão e composição em uma escola privada na sua terra natal, Fukuoka. Desejando tornar-se profissional, ela pegou no violão e cantou em locais públicos como a costa de Shingu e no meio dos campos de arroz de Kaminofu.

Seguindo seus estudos e a busca por uma carreira profissional, em março de 2004, em uma audição realizada pela Sony Music Japan, Yui participou e foi avaliada com nota máxima por todos os juízes, o que causou um enorme frenesi entre as gravadoras. Nesta audição ela interpretou três canções: “Why Me”, “It’s Happy Line” e “I Know”, apesar de ser permitido apenas duas musicas na apresentação de cada participantes. Sentada no chão e de pernas cruzadas, ela tocou violão e cantou com toda a simplicidade que viria a ser característica de sua pessoa, fazendo com que os juízes e outras pessoas ali presentes afirmassem que “a atuação de Yui criou uma tremenda aura a partir da sua voz, e cativou os corações de toda a audiência”.

Após trocar Fukuoka por Tóquio, Yui escreveu a música “Feel My Soul”, planejando lançá-la em uma gravadora independente como homenagem à sua terra natal. Quando a canção chegou aos ouvidos do produtor da TV Fuji, Yamaguchi, que se fascinou com a voz da jovem, insistiu que gostaria de ter algum trabalho da novata em seu Drama “Fukigen na Gene”, antes mesmo dela lançar Feel My Soul.

Depois desta participação que certamente direcionou os olhares para Yui, ela finalmente lançou seu primeiro trabalho, o single de “Feel My Soul” em 23 de Fevereiro de 2005, o qual seria o primeiro passo de uma carreira que viria a crescer exponencialmente de maneira meteórica, e alcançando um sucesso absurdo a ponto de torná-la  a segunda cantora/compositora, em sete anos, a ter quatro singles consecutivos (“Summer Song”, “Again”, “It’s All Too Much”/“Never Say Die” e “Gloria”) em primeiro lugar no Ranking da Oricon, seguindo os passos da lendária cantora Utada Hikaru.

Com o tempo vieram muitos prêmios, álbuns e singles de enorme sucesso de criticas e vendas,  participações como atriz em filmes como o renomado “Taiyou no Uta” e trabalhos servindo como temas para animes como Bleach e Fullmetal Alchemist: Brotherhood. Yui construiu uma carreira sólida ao longo dos anos, puramente um reflexo de seu enorme talento, fazendo-a ter tudo que sempre sonhou e, por conta disso, em 2013 passou a entrar em um hiatus do mundo musical, em prol de ter um tempo para si mesma e sua vida pessoal.

Essa pausa acabou durando pouco tempo e em 2014 Yui chocou os fãs ao aparecer com um novo visual e como vocalista da banda “Flower Flower”, realizando shows surpresas pelo Japão. Flower Flower acabou sendo a principal fonte de trabalho da Yui no mundo musical, lançando alguns singles. Até que em 2015, por meio de uma postagem no site oficial da banda, Yui revelou estar grávida e casada com um homem de fora do meio musical, fazendo-a se afastar mais uma vez de seu trabalho, desta vez para cuidar de sua gravidez que, em agosto de 2015, nasceram dois meninos.

Ao longo destes dez anos acompanhamos a jovem desconhecida e debutante no mundo musical se tornar uma mulher realizada tanto em sua carreira como também na vida musical. É como se fizéssemos uma pequena parte de sua vida e acompanhamos seu crescimento por meio da sua música, que começou como algo simples que tinha como base seus sonhos, e se tornou cada vez algo mais completo a medida que o talento da Yui era refinado.

Yui realizou seus sonhos através da musica e também trouxe sonhos através da inspiração realizada por suas músicas àqueles que apreciam seu trabalho ao longo desses anos. Mesmo agora, como mãe, ela tenha menos tempo para partilhar com o mundo seu talento, suas músicas e mensagens permanecerão inesquecíveis nos corações de seus fãs, que só têm a agradecer por todo o seu trabalho ao longo destes dez anos.

Depois de anos nos trazendo felicidade, é nossa vez de trazer felicidade à ela lhe desejando toda a sorte do mundo em sua nova etapa da vida e, além de tudo, um obrigado. Essa é uma pequena homenagem do Portal Tanaka à essa incrível pessoa chamada Yui.

Ga-In chocou o mundo do K-pop em 2015 com o lançamento de seu álbum intitulado Hawwah (Eva), o quarto de sua carreira solo.

Hawwah foi um álbum construído conceitualmente com a ideia de ser uma reinterpretação do retrato bíblico de Hawwah (Eva) e da “Queda do Homem”, tendo ênfase na tentação e sexualidade. O conceito do álbum pode ser interpretado como como uma afronta às autoridades (religiosas ou não), as quais tentam reprimir as mulheres, implicando que as mesmas devam ter vergonha de sua sexualidade e que sentir desejo acaba sendo algo imoral. No mito de Adão e Eva, Eva sucumbe a tentação e isso é visto como uma afronta, como se as mulheres não tivessem o direito de experimentar algum desejo ou prazer. A releitura de Eva feita por Ga-In em seu álbum teve como objetivo subverter o mito de Adão e Eva, utilizando da sexualidade feminina como uma ferramenta em prol da liberdade, mostrando que ninguém tem autoridade para ditar o que uma mulher pode ou não fazer quando o assunto é sexualidade, e que elas podem sim sucumbir a tentação quando relacionada a algum desejo próprio e íntimo, pois elas tem total consciência do que estão fazendo.

Ga-In mais uma vez acaba reforçando a força da mulher de uma maneira brilhante, mostrando que elas não precisam esconder seus desejos e sexualidade, pois, afinal de contas, eles acabam sendo uma fonte de poder o qual algumas autoridades acabam tentando limitar justamente por medo de sucumbirem perante a tentação que uma mulher pode causar.

Em um mundinho tão fechado como o K-pop, é muito interessante e importante ver Ga-In remar contra a corrente e revolucionar o gênero musical com uma simbólica rebeldia contra a forma que as mulheres são reprimidas, se utilizando conscientemente de sua sexualidade e sensualidade como uma demonstração de poder. Hawwah é um grito em prol da liberdade feminina.

Toda a temática de Hawwah pode ser vista nos excelentes singles “Paradise Lost” e “Apple” que estão presentes no álbum, mas para uma experiência mais completa eu recomendo que o escutem o álbum por inteiro.

Além do comeback de Ga-In em 2015 com seu álbum “Hawwah”, também tivemos o inesperado comeback do grupo Brown Eyed Girls, o qual Ga-In também faz parte, comemorando os dez anos de carreira.

Intitulado “Basic” e usando como temática os principais conceitos da ficção científica, o álbum é certamente uma amálgama de tudo que fez o Brown Eyed Girls ser quem é em seus dez anos em atividade, mas sem deixar de oferecer uma nova perspectiva através de um aperfeiçoamento de sua já conhecida e marcante fórmula provocante, transformando o álbum em um dos trabalhos mais sofisticados do grupo.

Após uma décadas juntas quebrando fronteiras culturais e musicais, “Basic” veio como um registro de todos os pontos fortes do grupo, soando como um álbum o qual só elas poderiam ter produzido. Em um mundo musical cheio de pressão comercial acerca de sucesso onde até mesmo a idade dos membros do grupo acaba influenciando no sucesso, o Brown Eyed Girls veio e quebrou todos esses paradigmas mostrando que não precisa de um envolvimento de uma grande agencia por trás da produção de um álbum de sucesso e que suas idades podem ser avançadas se comparadas aos membros de outros grupos. Mas é justamente por isso e por toda essa experiência no mundo musical que elas conseguem fazer um álbum de K-Pop maduro, podendo se reinventar sem perder todas as bases que se tornaram características marcantes do grupo.

“Basic” serviu para reforçar a posição do Brown Eyed Girls como as “Rainhas do K-pop”, mostrando que elas ainda têm muito potencial quando se trata de música e que certamente ainda tem muito a ensinar aos grupos mais novos sobre como fazer K-Pop.

Segue com dois dos principais singles presentes em “Basic”, “Warm Hole” e “Brave New World”, duas músicas que representam por si só o comeback do grupo,  mostrando o aperfeiçoamento sem deixar de lado o que é o Brown Eyed Girls.

Em 2015 se completaram 30 anos desde que a banda The Blue Hearts foi formada, e seu legado se perdura até hoje.

O The Blue Hearts deixou a sua marca meteórica na cena indie do Japão, inspirando muitas bandas que surgiram posteriormente. Com influencias de Ramones, The Clash junto de muitos comentários sociais, a banda é considerada como o grupo punk de maior sucesso no Japão, servindo como uma das grandes vozes que propagaram o gênero no país. Tendo também bases em música country e no rock’n’roll dos anos 50 e 60, o The Blue Hearts agregou diversas inspirações musicais que culminaram em um estilo próprio e único de passar suas mensagens para o país, construindo um legado que se perdura até os dias atuais.

Em seu curto período de atividade que durou de 1985 à 1995, o The Blue Hearts pode ser considerado como uma banda revolucionária. Sua maneira única e agitada nos palcos que ia contra o comportamento padrão da população japonesa não impediu que a banda quebrasse tabus e alcançasse o sucesso nacional a ponto aparecerem em programas de TV e rádio regularmente, o que naquela época era algo incomum para as bandas do estilo.

Quebrando barreiras, desafiando ameaças de gravadoras e chocando o país a ponto de serem banidos por um ano de aparecerem na televisão, a banda nunca deixou de passar suas mensagens por medo ou receio das consequências, e esse estilo único e rebelde em um pais tão conservador como o Japão certamente foi o agravante que fez o The Blue Hearts ser lembrando até hoje e ser considerado uma das bandas mais importantes da história do país.

Em 2003 a HMV Japan considerou o The Blue Hearts como o número 19 dos 100 artistas mais importantes do Japão, e em 2007 a revista Rolling Stone Japan classificou o álbum homônimo “The Blue Hearts” em terceiro da lista intitulada “Os 100 Maiores álbuns de rock japonês de todos os tempos “.

Alguns dos maiores clássicos do The Blue Hearts:

O legado de The Blue Hearts sendo referenciado até hoje em animes como Kaiji e o recente The Rolling Girls:

Admito que esse fato não é tão importante quanto os outros e que ele está aqui justamente por uma questão pessoal minha. Eu precisava relembrar esta simbólica marca pois o Beat Crusaders foi uma das bandas mais importantes em minha vida e talvez a banda que eu mais tenha gostado até hoje.

O Beat Crusaders foi uma banda formada em 1997 por Toru Hidaka, o qual foi influenciado por bandas como Weezer e The Rentals para criar seu estilo que acabou moldando seu estilo próprio com o tempo, fazendo jus ao nome “Beat Crusaders” (Batidas Cruzadas), ao diferenciar e mesclar estilos a medida que se reinventava com o tempo.

Apesar de passar por vários problemas como a saída de membros e de viver muitos anos no cenário independente, isso não impediu o Beat Crusaders de crescer e criar uma base sólida e fiel de fãs que os acompanharam durante as diferentes fases da banda, desde o underground até o mundo mainstream, quando a banda retornou em 2003 com uma nova formação e assinando contrato com uma grande gravadora, o que fez o grupo ganhar mais relevância e alcançar maiores patamares, chegando a serem chamados para cantar temas de animes como Bleach e Gintama, e também algumas músicas da trilha sonora do anime Beck, e claro, além de também a sua icônica abertura.

O que me fez gostar do Beat Crusaders foi todo o carisma e diversão que a banda proporcionava. Eles nunca almejaram serem revolucionários no cenário musical ou qualquer coisa do tipo, eles eram um grupo simples que por conta dessa simplicidade em prol da diversão pessoal e da diversão daqueles que os ouvia, acabaram conquistando o carinho de muitas pessoas que buscaram em sua musicas alegria e felicidade. Não escondo que se tratando de qualidade técnica e em comparação com muitas outras bandas eles acabam tendo algumas falhas e defeitos, mas isso nunca importou para mim. No final das contas, creio que tenha sido toda a simpatização com o estilo deles e a felicidade que eles traziam que me fez criar uma admiração e me identificar cada vez mais com a banda, a ponto de se tornar algo constante na minha vida até os dias de hoje.

O Beat Crusaders acabou em 2010 e não deixou nenhum legado ou coisa do tipo, mas eu guardo comigo toda a diversão e alegrias que eles me proporcionaram, e sempre que quero resgatar um pouco daquele sentimento de felicidade que eles me proporcionavam, eu boto para escutar suas músicas novamente, e tenho certeza que outros fãs da banda também sentem o mesmo. No fim, o Beat Crusaders foi tipo um amigo que você conhece em alguma viagem e que sabe que ele irá partir em algum momento, mas que você irá guardar as boas lembranças que teve com ele em seu coração. Eu sou muito grato por toda a felicidade que o Beat Crusaders me proporcionou e sempre irei continuar ouvindo suas músicas.

Em sua despedida, a ultima música que eles tocaram ao vivo foi justamente “Hit in Usa”, sua música de maior sucesso que os fizeram ser quem eles foram em um show final que serviu como uma grande homenagem a carreira da banda onde todos os seus maiores sucessos foram relembrados e também uma forma de agradecimento aos fãs por todo apoio ao longo dos anos.

 

Em sua primeira turnê na América Latina, o Asian Kung-Fu Generation realizou um show histórico no Brasil.

O Asian Kung-fu Generation em seus quase 20 anos de carreira se tornaram uma das principais bandas do Japão nos dias de hoje, sendo referência de qualidade quando se fala sobre JRock. A banda também alcançou um devido sucesso pelo mundo, muito disso por conta de músicas como “Haruka Kananta”, “Rewrite” e “After Dark”, que são conhecidas pelo publico otaku de qualquer lugar do mundo, o que fez com que a banda ganhasse renome fora do Japão.

A banda nunca havia pisado em território brasileiro e em 2015 esse tabu foi quebrado em um show único que certamente marcou para sempre os fãs que presenciaram o evento.  Mesmo com o intuito de promover seu novo disco “Wonder Future”, eles não deixaram de aproveitar sua primeira vez em nosso país e tocaram seus mais renomados sucessos ao longo de carreira como uma forma de trazer a oportunidade dos fãs verem aquelas músicas ao vivo. O show foi histórico, sem duvidas, e eu fico muito feliz em ter visto uma banda que eu particularmente gosto muito e escuto há muitos anos abraçarem o Brasil e terem dado ao nosso país a oportunidade de receber uma apresentação sua.

Eu não pude presenciar o show, mas tenho certeza que foi incrível e espero que eles tenham gostado da experiência e resolvam voltar mais vezes para cá, dando oportunidade para outros fãs realizarem o sonho de vê-los tocando ao vivo.

Alguns dos maiores sucessos do Asian Kung fu-Generation:

Em uma lista anunciada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas conhecemos os pré-indicados ao Oscar de “Melhor Canção Original”, e entre elas estava “Fine on the Outside”, tema do filme “Omoide no Marnie”, do Studio Ghibli. O tema é interpretado pela artista Priscilla Ahn e é primeira canção principal totalmente em inglês em um filme da Ghibli.

O Japão sempre é lembrado pela Academia quando se trata do Oscar de melhor animação, tanto que Omoide no Marnie está na lista de pré-indicados juntos de UFO Gakuen no HimitsuBakemono no Ko, mas é muito legal ver uma indicação quando se trata de uma categoria diferente, principalmente música, pois o Japão é um país muito competente no quesito de escolhas de temas marcantes e inesquecíveis.

É difícil de saber se irá ganhar ou não (no fim, não chegou aos indicados. Uma pena), ainda mais que a mentalidade daqueles que cuidam da votação do Oscar acaba sendo limitada à olhar somente para as produções dos Estados Unidos. Mas isso não deixa de ser um feito importante, ter esse tipo de reconhecimento é algo solene, e espero que gere bons frutos não só para o filme mas também para a Priscilla Ahn que se mostrou muito talentosa, além de possuir um voz encantadora.

Em um dos fatos mais engraçados de 2015, a banda Bradio se utilizou de uma forma peculiar para divulgar o lançamento de seu single “Flyers”. Aproveitando que a música seria usada como abertura do anime Death Parade, os membros da banda se juntaram com alguns amigos e resolveram reencenar a sequência de animação da abertura que é muito icônica.

Contornando limitações e transformando o resultado final em um “trash” bem divertido, Bradio estreou no mundo dos animes demonstrando muito carisma, característica que é uma das principais da banda. Foi uma forma bem criativa de promover seu trabalho e isso certamente atraiu muitos olhares para a banda, fazendo com que eles fossem chamados mais tarde em 2015 para produzir a abertura de outro anime, o Peeping Life, e repetindo a tradição iniciada em Death Parade, o grupo se juntou novamente para reencenar  a abertura.

Em um mundo comercial onde marketing acaba sendo algo essencial para decretar seu sucesso, o Bradio encontrou uma forma unica, engraçada e divertida de divulgar seu trabalho, gerando um reconhecimento merecido pois a banda é talentosa.

Na colaboração mais inusitada do ano, tivemos a lendária banda Kiss em uma parceria com o Momoiro Clover Z, um dos grupos Idol mais famosos do Japão. Em uma mistura de estilos feitas através da composição de Paul Stanley e Greg Collins, letras de Yuho Iwasato, vocais das garotas do Momoiro Clover Z e o Kiss fornecendo vocais e instrumentos de fundo, Yume no Ukiyo ni Saitemina foi uma grata surpresa pois nos trouxe o melhor das principais características musicais de duas partes distintas do mundo, o Rock do Ocidente e o Pop do Oriente, em uma mistura muito funcional e divertida de se ouvir.

É muito legal ver uma colaboração do tipo que quebra as barreiras intercontinentais e simboliza que o mundo é nada menos que uma grande mescla de culturas, e que cada parte do mundo acaba absorvendo um pouco uma das outras e formando boa parte da cultura pop que consumimos e gostamos nos dias de hoje.

Ainda falando entre uma colaboração multicultural, tivemos uma outra combinação em 2015 que por si só conseguiu ser muito mais bizarra que a excelente parceria entre Kiss e Momoiro Clover Z: trata-se do grupo idol chamado “LadyBaby”, o qual é composto por duas garotas, Rie Kaneko e Rei Kuromiya, e um metaleiro cross-dressing chamado “Lady Beard”.

Criado pela Clearstone, uma costume maker, e junto de  Tsukasa Kobayashi, o LadyBaby surgiu com o conceito de “ser um novo senso de grupo de entretenimento que transcende nacionalidade, geração, gênero e todas as fronteiras, herdando, destruindo e remodelando as culturas”. Uma visão pretensiosa mas ao mesmo tempo interessante por ver que o Japão está cada vez mais adepto à quebrar com seu modo arcaico de sociedade fechada e abrir espaço para a cultura exterior adentrar em seu país e interagir de maneira intrínseca com sua cultura. O Lady Beard é claramente um estrangeiro que ganhou um espaço, e isso vindo de um país o qual possui um histórico negativo de preconceitos relacionados famigerados “Gaijin” (estrangeiros), é um bom pequeno passo rumo a uma possível mudança.

Em um ano aonde carreiras e legados foram festejados, importares passos foram dados em prol de uma sociedade mais igual, seja na luta de Ga-in pela força da mulher ou no Japão quebrando com a barreira do estigma xenofóbico ao abraçar elementos culturais que se misturam com a cultura própria. O ano de 2015 no mundo da música acabou sendo marcado por celebrações de histórias que foram construídas por conta da música e conquistas alcançadas também por causa da mídia. Seja para criar um legado, receber algum reconhecimento, lutar contra alguma causa social ou até mesmo apenas para se divertir, 2015 nos mostrou que a música é uma mídia eterna e que ela tem o poder de realizar sonhos e até mesmo de mudar um pouco do mundo.